sábado, 29 de outubro de 2011

Metalúrgicos podem entrar em greve

O Globo - 29/10/2011

Trabalhadores querem 5% de aumento real

SÃO PAULO. Os metalúrgicos de São Paulo ameaçam entrar em greve a partir da semana que vem se os empresários não apresentarem uma nova proposta de reajuste salarial. Eles vão se reunir amanhã em uma assembleia na sede do sindicato para decidir sobre a paralisação. Na última quinta-feira, os trabalhadores rejeitaram proposta de reajuste entre 7,5% e 8,4%. Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, disse que um pedido de aumento real de 5% nos salários está de acordo com o desempenho da economia este ano.

As reivindicações são aumento real, elevação do piso, redução da jornada, participação nos lucros para todos, estabilidade aos acidentados e portadores de doenças profissionais, licença-maternidade de 180 dias e inclusão digital, entre outras. A categoria tem data-base em 1º de novembro. A campanha salarial é unificada e envolve cerca de 800 mil trabalhadores.

Em São José dos Campos, no interior de São Paulo, os funcionários da Embraer também rejeitaram uma proposta de reposição da inflação mais aumento real de 1% a partir de 1º de novembro. Um aviso de greve já foi protocolado. Os trabalhadores reivindicam reajuste de 17,45% e redução da jornada de trabalho.


Prédio da USP ocupado

Autor(es): » Ullisses Campbell
Correio Braziliense - 29/10/2011

Cerca de 200 estudantes avisam que só deixam a faculdade quando policiais militares saírem da universidade

São Paulo — Depois de entrar em confronto com a Polícia Militar (PM), que tentava deter três alunos que fumavam maconha no estacionamento do câmpus, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) pediram, ontem, formalmente à reitoria a saída de militares do maior centro acadêmico do país. Essa seria a condição para que cerca de 200 alunos desocupem o prédio administrativo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Em nota, o reitor João Grandino Rodas diz não ter competência para ordenar a retirada dos guardas armados da cidade universitária, na Zona Oeste de São Paulo. O departamento jurídico da universidade entrou na Justiça com pedido de reintegração de posse.

Depois de 30 anos proibida de atuar no local devido a rixas durante a ditadura, a Polícia Militar voltou à USP em maio deste ano após o assassinato de um aluno. E coleciona, principalmente com estudantes das humanas, situações de conflito. Nas blitzes montadas nas principais entradas do câmpus, é comum alunos se recusarem a mostrar documentos ou mesmo a abrir o porta-malas do carro para fiscalização. "Não mostro mesmo documentos para esses policiais. Eles não têm moral alguma para nos revistar", diz Patrícia Advenssude, 23 anos, estudante de letras.

A gota d"água foi a abordagem feita por três policiais na noite da última quinta-feira a três estudantes que fumavam maconha no estacionamento da Faculdade de Economia e Administração. Segundo os PMs, eles pediram que os dois estudantes os acompanhassem até a delegacia. Não houve resistência, mas um grupo de alunos se aproximou, dizendo que os policiais não tinham "autoridade moral" para fazer esse tipo de ação no câmpus.

O impasse entre PMs e estudantes ganhou adesão de funcionários e acabou em conflito. Pelo menos 200 universitários invadiram a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas na tentativa de impedir que os estudantes fossem detidos. Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores da USP disse que a PM é violenta e não sabe lidar com estudantes de universidades públicas. Já a polícia afirma que conteve a manifestação sem violência e assegura que só houve confronto porque os estudantes atacaram um carro da corporação em que estava um delegado. De acordo com a PM, três policiais ficaram feridos e cinco carros da corporação foram danificados.


Lixo hospitalar: empresa tem R$ 126 mil bloqueados

Correio Braziliense - 29/10/2011

A Justiça do Trabalho de Pernambuco determinou o bloqueio de R$ 126 mil da empresa Império do Forro de Bolso, que revendia peças feitas com lençóis usados dos Estados Unidos.
A medida foi em resposta ao pedido do Ministério Público do Trabalho, que havia pedido o bloqueio de R$ 2,1 milhões para o custeio de possíveis rescisões contratuais e de indenizações.
A decisão tem caráter preventivo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também está de olho no caso. Ontem, se reuniu com as vigilâncias sanitárias locais para padronizar os procedimentos adotados em caso de lixo hospitalar. O entendimento é que o material passe por um processo de lavagem e de desinfecção ou seja descartado. Os lençóis apreendidos (foto) continuam no Porto de Suape (PF).
Há a possibilidade de ele serem reenviados aos EUA.




Outros 320 alunos tiveram acesso a questões do Enem

Cursinho do Ceará também distribuiu questões do Enem para 320 alunos
Autor(es): PAULO SALDAÑA , ENVIADO ESPECIAL / FORTALEZA
O Estado de S. Paulo - 29/10/2011

Cerca de 320 alunos do curso pré-universitário do Colégio Christus, de Fortaleza (CE), também tiveram acesso com antecedência às questões idênticas às que caíram no Exame Nacional do Ensino Médio deste ano. Os mesmos cadernos entregues aos alunos do 3º ano do ensino médio foram oferecidos, pelo mesmo professor, aos que realizam cursinhos. Até agora, o Ministério da Educação determinou apenas o cancelamento da prova dos 369 concluintes do ensino médio. A Justiça deu prazo de 72 horas para o Inep, que organiza o Enem, se manifestar sobre o caso.

Educação. Cadernos entregues aos estudantes do 3º ano do ensino médio do Colégio Christus, de Fortaleza, também foram dados pelo mesmo professor aos estudantes do cursinho mantido pela instituição; segundo MEC, exame desses candidatos não será anulado

- O Estado de S.Paulo

Cerca de 320 alunos do curso pré-universitário do Colégio Christus, de Fortaleza, também tiveram acesso com antecedência a questões idênticas às que caíram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. Os mesmos cadernos entregues aos alunos do 3.º ano do ensino médio foram também oferecidos aos que realizam cursinhos - e pelo mesmo professor. Informado pelo Estado, o Ministério da Educação (MEC) disse que mantém a decisão de cancelar a prova apenas dos 639 concluintes do ensino médio.
 


Estudantes do cursinho confirmaram ter recebido o caderno com a mesma antecedência que os outros. "Eu recebi os cadernos e fiz as questões. Até minha irmã, que não estuda no Christus, mas também fez o Enem, viu as questões em casa e resolveu comigo", disse a aluna do cursinho no Christus Amanda Galdino Carneiro, de 20 anos. Segundo ela, foi o professor de física Jahilton Motta quem entregou o caderno com os itens. "Ele comentou para não nos impressionarmos se uma ou duas questões do material caíssem no Enem."

Também estudante do cursinho, Robert Pouchain, de 20 anos, teve acesso ao caderno. "Recebemos o material. Mas as questões do pré-teste já estarem neste Enem mostra uma fragilidade do Inep", disse.

Os dois são alunos da unidade Christus Sul, no Alagadiço Novo, onde o professor Jahilton deu aula ontem - o prédio fica distante da sede localizada na Aldeota, onde o assédio da imprensa é maior e, segundo funcionários, o professor não foi visto nesta semana.

Os alunos contaram que o professor começou a aula comentando o episódio. Ele, que dá aulas há mais de 30 anos no colégio, teria dito que seu nome tem sido "exposto" na imprensa e se defendeu dizendo que não teria feito nada de errado.

Pelo relato dos alunos, Jahilton não deu detalhes de como as questões do pré-teste (realizado na escola há um ano) foram parar nas mãos dele e, depois, entregues aos alunos da escola. "Como ele é coordenador dos professores, é sempre quem entrega esse tipo de material extra", diz Amanda. Os dois alunos defendem o cancelamento total da prova - ou pelo menos das questões iguais.

Sedes. O Colégio Christus tem oito turmas de cursinho pré-vestibular, com estudantes que já terminaram o ensino médio. As aulas ocorrem em quatro das dez unidades do Christus na capital cearense. Segundo alunos e funcionários da escola ouvidos pelo Estado, a maioria dos professores se reveza nas aulas para as duas modalidades.

Em algumas unidades, como a da Aldeota, o prédio tem salas de cursinho e também de 3.º ano do ensino médio. Na unidade Sul, em Alagadiço Novo, onde o professor Jahilton deu aula ontem, há salas de educação infantil e apenas uma voltada ao pré-universitário.

Incoerência. Ao reclamar da decisão do MEC de cancelar a prova apenas dos 639 concluintes do ensino médio, estudantes do 3.º ano também reclamaram da decisão. "Foi muito incoerente. Porque tem aluno do 3.º ano que faltou no dia e não recebeu. E os do cursinho, que também receberam", disse a estudante Lia Albuquerque, de 17 anos.

O Ministério da Educação, por meio de sua assessoria de imprensa, confirmou que não vai alterar a decisão sobre o número de alunos que terão o Enem cancelado e deverão refazer as provas - já marcadas para os dias 28 e 29 de novembro.

Segundo a assessoria da pasta, não há provas de que mais estudantes tenham tido acesso ao material. / COLABOROU CARMEM POMPEU

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

EUROPA ACERTA CALOTE DA GRÉCIA E BOLSAS DISPARAM

CALOTE ORGANIZADO
Autor(es): agência o globo:
O Globo - 28/10/2011

Europa acerta com credores perda de 50% da dívida e mercados reagem com euforia: bolsas disparam até 6% e dólar despenca

Depois de mais de dez horas de discussões, às 4h da manhã de ontem em Bruxelas, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou que os 17 chefes de Estado e de governo da zona do euro chegaram a um acordo sobre a dívida grega, segundo o qual o setor privado arcará com perdas de 50% do valor dos papéis em suas mãos. Esse percentual é muito superior aos 21% acertados em julho e deve equivaler a 100 bilhões. O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), que representa os credores privados, resistia a um calote dessa magnitude. Mas, segundo a revista alemã "Der Spiegel", as autoridades europeias avisaram que, se eles não aceitassem voluntariamente os 50%, este percentual lhes seria imposto. Os mercados festejaram, com bolsas subindo até 6% e as ações dos bancos disparando, mas analistas têm dúvidas de que esse novo pacote vá resolver a crise da dívida na zona do euro.

"Deram uma aspirina ao país. Mas ainda falta um tratamento de choque", disse ao jornal francês "Le Monde" o economista do banco Natixis, Sylvain Broyer. Para ele, sem uma espécie de Plano Marshall (que reconstruiu a Europa após a Segunda Guerra Mundial), a Grécia continuará a ser "uma máquina de dívida".

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) seguiu a euforia dos mercados internacionais e avançou 3,72%, aos 59.270 pontos pelo Ibovespa, maior patamar em três meses. Mais confiantes, os investidores estrangeiros voltaram ao mercado brasileiro com pesadas compras de ações, o que alavancou o volume de negócios para R$10,1 bilhões. Os destaques ficaram para exportadoras de matérias-primas, como Vale e siderúrgicas, mas os ganhos foram generalizados. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a subir 4,83%, próximo dos 60 mil pontos.

Sarkozy: foi um erro incluir Grécia no euro

Com o maior apetite a aplicações de risco, o dólar comercial despencou 2,90%, a R$1,709, menor patamar desde 15 de setembro. No mês, a moeda americana acumula queda de 9,19%, frente a uma alta de 18,14% em setembro. Já o dólar turismo podia ser comprado nas casas de câmbio e bancos por R$1,83. Também houve influência da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que sinalizou a continuidade de redução da Taxa Selic.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em alta de 2,86%, enquanto Nasdaq e S&P avançaram 3,32% e 3,43%, respectivamente. As altas mais fortes foram na Europa: Paris saltou 6,28%, e Frankfurt, 5,35%. Londres avançou 2,89%. As ações dos bancos europeus dispararam: enquanto Société Générale e Crédit Agricole saltaram mais de 20%, Barclays avançou 18%, BNP Paribas, 17%, e Deutsche Bank, 16%. O euro chegou a subir 2,5%, a US$1,4247, recuando depois a US$1,4189.

Em Tóquio, o Nikkei subiu 2,40%. Seul avançou 1,46%, Hong Kong, 3,26%, e Cingapura, 2,80%.

Álvaro Bandeira, diretor de Varejo da Ativa Corretora, acredita que, com os investidores estrangeiros mais confiantes, pode haver uma recuperação do mercado brasileiro nas próximas semanas:

- Nem tudo foi resolvido, apenas combinado. Existem diversas questões em aberto. Mas houve avanços importantes e isso foi o bastante, por enquanto, para os mercados.

Com essa redução de 50% na dívida em mãos do setor privado, os líderes europeus esperam reduzir o endividamento grego a 120% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) em 2020, frente aos atuais 160%.

Mas boa parte dos economistas ouvidos ontem pela agência Reuters - 24 de 47 - acham que esse percentual não é suficiente. A projeção média seria de perdas de 70%.

- O mundo estava olhando para nós hoje, e mostramos que chegamos às conclusões corretas - afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel.

Já Sarkozy, ao fazer um pronunciamento na televisão francesa à noite, afirmou que a entrada da Grécia na zona do euro foi um erro.

- Nem Merkel nem eu estávamos em nossos cargos quando se decidiu incluir a Grécia na zona do euro (em 2001). Foi um erro.

Detalhes, somente em novembro

Além disso, foi acertada a ampliação do poder de fogo do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), hoje em 440 bilhões, para cerca de 1 trilhão. Para chegar-se a esse valor, é preciso descontar o montante do Feef que está sendo usado para socorrer Irlanda, Portugal e Grécia, restando cerca de 250 bilhões.

Os detalhes sobre a ampliação do Feef serão acertados em novembro, durante reunião dos ministros de Finanças do bloco. Segundo o comunicado divulgado ontem, serão adotados dois caminhos: a concessão de garantias na emissão de títulos soberanos da zona do euro e a criação de um fundo de investimento para atrair recursos externos, como de fundos de pensão e soberanos.

O outro ponto acertado diz respeito à recapitalização dos bancos europeus. Esta afetará 91 instituições, que terão de elevar seu colchão de reserva de 4% para 9% do capital.