Sônia Racy - Sônia Racy
O Estado de S. Paulo - 24/05/2010
Jorge Gerdau quer mudar essa realidade ajudando o País a promover a educação para prioridade máxima.
Poucos colocam em dúvida a importância da educação para o Brasil. No entanto, o bonde não anda. O que acontece que não conseguimos avançar na velocidade que precisamos? Para falar sobre esse tema, a coluna convidou Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do conselho do Movimento Todos pela Educação. A entidade colocou no ar, sábado, novo comercial da campanha Eu, Você, Todos Pela Educação, estrelado por Mariana Ximenes. Nele, a atriz fala sobre o pai e o incentivo que recebeu dele para ler desde que era pequena.
O MTE é um movimento composto por representantes da sociedade civil, educadores, organizações sociais, iniciativa privada e gestores públicos. Buscam conscientizar a sociedade do óbvio: sem educação, o Brasil jamais será verdadeiramente livre. O País registra avanços no que se refere à universalização do estudo. Entretanto, a qualidade da educação caiu proporcionalmente ao aumento da oferta.
Recentes dados do Ministério da Educação, publicados pelo Estado, provam ser insuficientes os esforços pró-educação. Dos beneficiários do Bolsa Família, que algum dia já se chamou Bolsa-Escola, 18% abandonam a escola. A pesquisa aponta que boa parte dessa perda se dá por falta de interesse. Ou seja, mesmo sabendo que serão cortados do programa do Governo Federal e que não mais receberão o benefício, permitem aos filhos que optem pela ignorância.
Gerdau, que recebeu a coluna em seu escritório paulista, pondera que, infelizmente, o tema da educação ainda não é tratado como um programa de gestão técnica. "Não se analisa claramente o cliente: a criança." Para ele, o Brasil precisa discutir o assunto-problema de forma fria. "Antigamente, tínhamos educação de elite em colégios públicos. A qualidade era muito boa. Quando a educação começou a ser massificada - dentro da filosofia correta de se universalizar o processo - começou também a queda da qualidade."
Depois de mais de duas horas de conversa com o presidente do conselho do Grupo Gerdau, grande responsável pelo crescimento e expansão da empresa, pode-se deduzir que há um longo caminho a percorrer. E que parte dessa estrada passa pela real identificação do problema. "Pelo ranking de prioridades destacadas pela população em pesquisas nacionais, a educação vem em sexto lugar. Precisamos mudar isso." Aqui vão os principais trechos da entrevista para a coluna.
Como o senhor se interessou pelo tema da educação?
Quando comecei a exigir índices de produtividade nas empresas sem sucesso. A cada pressão, meu pessoal me perguntava: "Eles só têm o terceiro ano primário. Como é que tu queres o mesmo patamar de produtividade de um operário japonês?". Aquilo me irritava. Então implantamos um processo de educação maciça no Grupo. O funcionário sai da escola e entra na capacitação profissional. O investimento é de, no mínimo, 70 até 100 horas para cada um. Hoje posso dizer que na Açominas, por exemplo, somente 0,6% de nossos empregados não têm grau escolar médio.
Mas educar não é uma função do Estado?
Não pagamos impostos para tanto? Eu diria que a gente paga imposto, sim. Mas quando se vive em um país em que a educação é a 6º prioridade, ou se trabalha nesse troço ou vamos viver o resto da vida sem condições competitivas mundiais. Como você acha que a Embraer disputa? Ela tem pessoas altamente capacitadas. Se deixar na mão do Estado, não chegamos a um resultado condizente. Essa questão tem um conceito mais amplo. Teoricamente, delegamos para o Estado. E o resultado é este que existe. Ou seja, é inaceitável.
E o Estado delegar este tipo de problema para a iniciativa privada solucionar, também não é inaceitável?
Se este País quiser realmente atingir patamares envolventes, um bom IDH, um lugar no ranking que não seja o 88º, o que devo fazer? Não vou ficar de espectador. Como sociedade, temos que participar do processo. É nessa conscientização que o Todos pela Educação trabalha. Esse movimento nasceu com a preocupação de tentar atingir, mobilizar a sociedade civil sobre a importância da educação. Trabalhamos fortemente nas campanhas educacionais para sensibilizar os pais. Eles têm que acompanhar os filhos na escola. E estamos conseguindo verbas fantásticas. Temos artistas declarando em campanhas que é possível acompanhar o filho na educação.
Como vocês trabalham?
Primeiro com esse movimento que acabo de descrever. Depois, estabelecemos metas. A primeira é a de que toda criança e jovem de 4 a 17 anos tem que estar na escola. Nisso, o Brasil já avançou muito. A segunda é que toda criança tem que estar alfabetizada até os oito anos. Se a criança não é alfabetizada no sentido de entender o que lê, ela vai assim até o grau médio. Esta meta dois é decisiva. E estamos ainda longe disso. É uma meta difícil de atingir em todos colégios. Mas é exatamente neste estágio que estamos brigando.
Quais as outras metas?
A terceira diz que todo aluno tem que ter um aprendizado adequado à sua série. A quarta fala sobre o Ensino Médio, que teria que ser concluído até os 19 anos. E a quinta busca investimento ampliado e bem gerido. Hoje fazemos parcerias com as associações de professores e dentro das secretarias de educação. O Ministério da Educação também tem uma parceria forte conosco. Quando um político, por exemplo, percebe que o povo não está colocando a educação como prioridade, ele também não a trata como prioridade. Nós estamos brigando para mudar esse raciocínio.
É necessário padronizar tudo para atingir as metas?
As metas devem ser padronizadas, mas os métodos para atingi-las podem ser diversificados. É um tema muito complexo. Na educação não existe padronização. A diversidade do modo de educar é uma realidade.
O diagnóstico sobre Educação no Brasil está correto?
Não está. Não temos, por exemplo, um índice correto do analfabetismo funcional. Talvez o item mais complexo seja conseguir a transparência dos dados. Enquanto não conseguirmos avaliar se a pessoa foi ou não alfabetizada já no segundo ano de estudo, não conseguiremos resultados. Há crianças no quarto ano do curso básico que não conseguem entender o que acabaram de ler.
Quais números?
Somos o 88º no ranking mundial da Unesco no campo da educação. Isso é inaceitável. Além disso, 30% das crianças de quatro a cinco anos estão fora da escola. Sabemos que quando se trabalha com boa alimentação e motivação nos primeiros anos de vida, há um potencial maior de criação de inteligência. Outra bomba é o índice de dois milhões de jovens entre 15 e 17 anos que estão fora das salas de aula. Se não se educar nesse período jovem, carrega-se um analfabeto durante 20, 30, 40 anos. Se queremos desonerar nossos filhos do custo que tem uma sociedade com muitos analfabetos ou excluídos, o melhor investimento é a educação. Por meio dela podemos buscar empregos melhores.
Como o senhor vê o futuro da educação?
A mudança de 7ª prioridade do País para 6ª já é um avançozinho. Em São Paulo, já constatamos, em alguns municípios, que a prioridade subiu para segundo lugar. A educação é a maior empresa do Brasil. Em primeiro lugar, temos que estabelecer onde queremos chegar. Segundo, qual é a situação atual. Terceiro, traçar como faremos para atingir as metas. Aí você passa a capacitar professores e a envolver os pais. E começa então a ter a relação direta com as crianças. Você pensa: se não fizer isso, não chego lá. Posso ter a melhor capacitação de tecnologia, mas se não houver envolvimento pessoal, não haverá resultado.
Exemplo?
Um caso interessante é do secretário César Callegari, de Taboão da Serra. Ele decidiu que toda criança que vai mal na aula terá a própria professora para ajudar na casa dos pais. Conseguiu, com isso, que o município registrasse o melhor resultado na educação primária. Envolver a professora em processo pessoal é complicado. E tenho que premiar esse resultado. Somos a favor da remuneração conforme a produtividade. Uma professora que faz muito e apresenta resultados sobre o aluno não pode ganhar o mesmo daquela que faz pouco.
Faltam recursos para educação? Falta gerenciamento?
Eu diria que os recursos são insuficientes em relação ao PIB. Mas o problema hoje é menos de recursos e mais de gestão. O Brasil precisa de mais recursos com melhoria de gestão.
A saúde já teve seu ICMS. O senhor é a favor da cobrança de ICMS na educação?
Não, eu não acho que tenha que criar algo desse tipo. Esse é um mau imposto porque é acumulativo.
O senhor é a favor da centralização da administração do processo educativo?
Só podemos trabalhar descentralizados. O Brasil tem que criar dimensões globais. Tem que exigir qualidade e transparência. Mas é impossível trabalhar centralizadamente e reger uma escola municipal do interior diretamente de Brasília.
A educação vem piorando. Como reverter esse quadro? Já tivemos progressos, mas insuficientes. O Brasil dificilmente poderá ser vencedor em termos de desenvolvimento social se não melhorar os seus números. Somos 88º no ranking mundial da Unesco no campo da educação. Isso é inaceitável. Além disso, 30% das crianças de quatro a cinco anos estão fora das escolas. Outra bomba é o índice de dois milhões de jovens entre 15 e 17 anos que estão fora da sala de aula. Se não se educar nesse período jovem, carrega-se um analfabeto durante 20, 30, 40 anos. Portanto, se quisermos desonerar nossos filhos do custo que tem uma sociedade com muitos analfabetos ou excluídos, vamos ter que andar bem rápido.
terça-feira, 25 de maio de 2010
"A educação vem em sexto LUGAR"
MEC cria alternativa a concurso para professor
Autor(es): Agencia O Globo/Demétrio Weber
O Globo - 25/05/2010
Diretrizes de novo exame nacional estão em consulta pública na internet até início de julho
O Ministério da Educação (MEC) formalizou ontem a criação do Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, espécie de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) do magistério.
O novo teste, nacional, pretende ser uma alternativa aos tradicionais concursos públicos para contratação de professores, sobretudo em municípios de pequeno porte que penam para ter provas de melhor qualidade.
A portaria normativa nº 14, publicada ontem no Diário Oficial, diz que o exame será anual, mas não fixa data para sua realização.
O MEC quer que o teste seja aplicado pela primeira vez já em 2011. Até dezembro, o ministério pretende elaborar as questões da prova. As diretrizes do exame, incluindo os conteúdos a serem cobrados, estão em consulta pública na internet (no site) até o início de julho.
Pela portaria, prefeituras e estados poderão usar o resultado do novo exame nacional como quiserem: a nota dos candidatos poderá substituir integralmente o concurso público ou apenas fazer parte da seleção.
O Globo - 25/05/2010
Diretrizes de novo exame nacional estão em consulta pública na internet até início de julho
O Ministério da Educação (MEC) formalizou ontem a criação do Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, espécie de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) do magistério.
O novo teste, nacional, pretende ser uma alternativa aos tradicionais concursos públicos para contratação de professores, sobretudo em municípios de pequeno porte que penam para ter provas de melhor qualidade.
A portaria normativa nº 14, publicada ontem no Diário Oficial, diz que o exame será anual, mas não fixa data para sua realização.
O MEC quer que o teste seja aplicado pela primeira vez já em 2011. Até dezembro, o ministério pretende elaborar as questões da prova. As diretrizes do exame, incluindo os conteúdos a serem cobrados, estão em consulta pública na internet (no site
Pela portaria, prefeituras e estados poderão usar o resultado do novo exame nacional como quiserem: a nota dos candidatos poderá substituir integralmente o concurso público ou apenas fazer parte da seleção.
A educação profissional
Autor(es): Marcelo Neri
Valor Econômico - 25/05/2010
O Brasil vive o apagão de mão de obra onde as empresas não encontram no mercado trabalhadores na quantidade e na qualidade desejadas.
Agravando o problema, o número de jovens de 18 a 24 anos que estão em alguma instituição de ensino formal vem caindo nos últimos anos (caiu 7,3% entre 2006 a 2008, de 7,5 milhões para 6,9 milhões). Isto se dá pelo começo da redução da chamada onda jovem onde observamos queda de 3,5% do número absoluto da população nesta faixa. Além disso, o estudante tem sido atraído pelo canto do mercado de trabalho, caindo a proporção em escolarização formal de 4%, reforçando o apagão.
Na corrida de obstáculos entre oferta e demanda de e por trabalhadores mais qualificados, a educação profissional desempenha papel central pois além de ser de prazo mais curto e permitir maior facilidade de conciliar trabalho e estudo, ela se volta mais diretamente às necessidades e nichos dos diferentes negócios. A educação profissional tem sido muitas vezes considerada uma alternativa de segunda classe em prol de um ensino médio genérico que tenta fazer muito com pouca qualidade e foco, com dificuldade de atração dos jovens. Já o ensino superior percebido como uma espécie de primeira divisão do ensino profissional, é inalcançável para a maioria.
O desinteresse acerca da formação profissionalizante também está presente na avaliação dos impactos dos programas existentes que não dá conta da diversa matiz de cursos onde o prêmio salarial dos cursos de educação profissional varia de 1,4% a 27%, já controlados pela educação formal. Não se pode dizer que os prêmios são altos ou baixos. Isto vai depender da área e do tipo de curso fornecido e das necessidades específicas de cada um. O resultado desta desinformação são políticas e mercados educacionais e de trabalho relativamente desconectados sobre os percalços e potenciais ganhos das diversidades de alternativas profissionalizantes existentes. Entre os diversos participantes dos cursos de educação profissional podemos citar as instituições de ensino que, na analogia da corrida educacional, incluiria clubes, técnicos, preparadores físicos desde as divisões de base até chegar ao nível profissional. O estado ainda tem o seu papel de regulador (juízes e federações). Mas quem decide a corrida é sem dúvida o estudante; mal comparando sem atletas bem formados e motivados a competição é sempre perdida.
O desafio é fazer o estudante enxergar, por meio de indicadores de fácil interpretação, os prêmios da opção preferencial por mais educação nas suas diversas vertentes. É preciso qualificar a demanda por educação em geral e a educação profissional em particular.
Essa é a linha da pesquisa que será lançada amanhã pela FGV em parceria com o Instituto Votorantim no MAM em São Paulo. O site www.fgv.br/cps/proedu informará ao estudante em potencial como o mercado de trabalho tem remunerado diferentes escolhas educacionais.
Concretamente falamos de respostas diretas a questões como, por exemplo, o que os diferentes cursos de educação profissional proporcionam de fato em termos de ganhos salariais? E na empregabilidade? Que curso garante maior qualidade do posto de trabalho conquistado? Qual o impacto do curso tecnólogo vis a vis o técnico de nível médio? E nos cursos básicos de qualificação profissional, o que alavanca mais é o de informática ou o de gestão?
Em que é melhor investir, na educação profissional, na educação formal ou uma combinação das duas? O que dá mais retorno, cursos diurnos ou noturnos? Presenciais ou a distância? Privados, públicos ou do sistema S? Há efeito-diploma profissional? quem termina os cursos tem ganhos adicionais? E assim por diante.
A pesquisa usa as ferramentas da informática e da internet para fazer esta informação chegar às especificidades de cada um por meio de simuladores e panoramas. A nova safra de microdados explorada permite traçar detalhadas fotografias das conexões entre as corridas educacionais e a trabalhista nos detalhes da educação profissional cobrindo o auge do apagão de mão de obra pregresso, o período de crise até a possível volta do apagão já em 2010.
Além disso, mensura-se as consequências percebidas do curso em termos de mercado de trabalho, o objetivo último da educação profissional. Como o egresso dos cursos profissionais vê o impacto deles na sua vida. Apresentamos, evidências objetivas de alguns aspectos subjetivos associados a esta passagem da educação profissional ao mundo do trabalho. Isto inclui perguntas sobre o uso, ou não, dos conhecimentos adquiridos no curso na carreira profissional e as razões percebidas tanto para sua utilização quanto para sua não utilização. Nada como saber dos próprios sobre os fatores de fracasso e os segredos do sucesso trabalhista de cada um.
Valor Econômico - 25/05/2010
O Brasil vive o apagão de mão de obra onde as empresas não encontram no mercado trabalhadores na quantidade e na qualidade desejadas.
Agravando o problema, o número de jovens de 18 a 24 anos que estão em alguma instituição de ensino formal vem caindo nos últimos anos (caiu 7,3% entre 2006 a 2008, de 7,5 milhões para 6,9 milhões). Isto se dá pelo começo da redução da chamada onda jovem onde observamos queda de 3,5% do número absoluto da população nesta faixa. Além disso, o estudante tem sido atraído pelo canto do mercado de trabalho, caindo a proporção em escolarização formal de 4%, reforçando o apagão.
Na corrida de obstáculos entre oferta e demanda de e por trabalhadores mais qualificados, a educação profissional desempenha papel central pois além de ser de prazo mais curto e permitir maior facilidade de conciliar trabalho e estudo, ela se volta mais diretamente às necessidades e nichos dos diferentes negócios. A educação profissional tem sido muitas vezes considerada uma alternativa de segunda classe em prol de um ensino médio genérico que tenta fazer muito com pouca qualidade e foco, com dificuldade de atração dos jovens. Já o ensino superior percebido como uma espécie de primeira divisão do ensino profissional, é inalcançável para a maioria.
O desinteresse acerca da formação profissionalizante também está presente na avaliação dos impactos dos programas existentes que não dá conta da diversa matiz de cursos onde o prêmio salarial dos cursos de educação profissional varia de 1,4% a 27%, já controlados pela educação formal. Não se pode dizer que os prêmios são altos ou baixos. Isto vai depender da área e do tipo de curso fornecido e das necessidades específicas de cada um. O resultado desta desinformação são políticas e mercados educacionais e de trabalho relativamente desconectados sobre os percalços e potenciais ganhos das diversidades de alternativas profissionalizantes existentes. Entre os diversos participantes dos cursos de educação profissional podemos citar as instituições de ensino que, na analogia da corrida educacional, incluiria clubes, técnicos, preparadores físicos desde as divisões de base até chegar ao nível profissional. O estado ainda tem o seu papel de regulador (juízes e federações). Mas quem decide a corrida é sem dúvida o estudante; mal comparando sem atletas bem formados e motivados a competição é sempre perdida.
O desafio é fazer o estudante enxergar, por meio de indicadores de fácil interpretação, os prêmios da opção preferencial por mais educação nas suas diversas vertentes. É preciso qualificar a demanda por educação em geral e a educação profissional em particular.
Essa é a linha da pesquisa que será lançada amanhã pela FGV em parceria com o Instituto Votorantim no MAM em São Paulo. O site www.fgv.br/cps/proedu informará ao estudante em potencial como o mercado de trabalho tem remunerado diferentes escolhas educacionais.
Concretamente falamos de respostas diretas a questões como, por exemplo, o que os diferentes cursos de educação profissional proporcionam de fato em termos de ganhos salariais? E na empregabilidade? Que curso garante maior qualidade do posto de trabalho conquistado? Qual o impacto do curso tecnólogo vis a vis o técnico de nível médio? E nos cursos básicos de qualificação profissional, o que alavanca mais é o de informática ou o de gestão?
Em que é melhor investir, na educação profissional, na educação formal ou uma combinação das duas? O que dá mais retorno, cursos diurnos ou noturnos? Presenciais ou a distância? Privados, públicos ou do sistema S? Há efeito-diploma profissional? quem termina os cursos tem ganhos adicionais? E assim por diante.
A pesquisa usa as ferramentas da informática e da internet para fazer esta informação chegar às especificidades de cada um por meio de simuladores e panoramas. A nova safra de microdados explorada permite traçar detalhadas fotografias das conexões entre as corridas educacionais e a trabalhista nos detalhes da educação profissional cobrindo o auge do apagão de mão de obra pregresso, o período de crise até a possível volta do apagão já em 2010.
Além disso, mensura-se as consequências percebidas do curso em termos de mercado de trabalho, o objetivo último da educação profissional. Como o egresso dos cursos profissionais vê o impacto deles na sua vida. Apresentamos, evidências objetivas de alguns aspectos subjetivos associados a esta passagem da educação profissional ao mundo do trabalho. Isto inclui perguntas sobre o uso, ou não, dos conhecimentos adquiridos no curso na carreira profissional e as razões percebidas tanto para sua utilização quanto para sua não utilização. Nada como saber dos próprios sobre os fatores de fracasso e os segredos do sucesso trabalhista de cada um.
domingo, 23 de maio de 2010
MEC vai propor fim da reprovação
MEC vai recomendar o fim da reprovação
Autor(es): Agencia O Globo/Carolina Benevides
O Globo - 23/05/2010
O Conselho Nacional de Educação vai propor, e o MEC recomendará a escolas públicas e privadas, que não reprovem mais alunos dos 3 primeiros anos do ensino fundamental. A medida divide especialistas e entra em vigor em 2011.
Para reduzir evasão, plano é que escolas aprovem todos os alunos dos três primeiros anos do ensino fundamental
Com os dados do censo escolar de 2008 em mãos, quando 74 mil crianças de 6 anos foram reprovadas, e depois de realizar três audiências públicas — em Salvador, São Paulo e no Distrito Federal — o Conselho Nacional de Educação (CNE) se prepara para recomendar “fortemente” que todas as escolas públicas e privadas não reprovem mais alunos matriculados nos três primeiros anos do ensino fundamental.
A resolução, que terá que ser homologada pelo ministro Fernando Haddad neste último ano do governo Lula, entrará em vigor em 2011, segundo Edna Martins Borges, coordenadora-geral do Ensino Fundamental da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).
— O Brasil tem uma cultura forte de reprovação. Como estamos atualizando as diretrizes para a educação, vamos recomendar fortemente o princípio da continuidade. Sabemos que não tem a força de uma lei, mas as recomendações do CNE direcionam o sistema educacional — explica Edna, dizendo ainda que o Conselho espera que o Brasil deixe, daqui a alguns anos, de reprovar em todas as séries do ensino fundamental. — O ideal é que a criança conclua mesmo em nove anos, pois ser reprovada faz com que interrompa o sucesso escolar que poderia ter.
No Nordeste, onde temos altas taxas de evasão, a reprovação é uma das responsáveis pelo aluno abandonar o colégio.
Para professor da UFRJ, mudança é ‘temerária’ Segundo Edna, cada escola terá autonomia para elaborar seu projeto pedagógico, o que pode incluir flexibilização das turmas, trabalhos especiais para alunos em dificuldades e aulas extras.
No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), existem mais de 152 mil escolas, com 31 milhões matriculados no ensino fundamental. Pouco mais de dois milhões têm mais de cinco horas de aula por dia.
— Largadas à própria sorte, sem respaldo das secretarias de educação e do MEC, as escolas dificilmente terão sucesso. A história já mostrou que desacompanhada de professores bem formados, sem boa gestão, sem recursos corretos para ajudar no aprendizado e com grande número de alunos em sala, a progressão não dá bom resultado — diz Claudia Fernandes, coordenadora da Pós-Graduação em Educação da UniRio.
Professor de políticas públicas e formação humana da UERJ, Gaudêncio Frigotto concorda que propor a mudança deixando que as escolas decidam o que fazer é “temerário”: — Não adianta as crianças terem o direito de passar, se não têm o direito de aprender. As escolas públicas do Brasil são também espaço de merenda, de educação sexual, têm que lidar com a violência, não estão só ligadas ao conhecimento. Legalizar a realidade que temos em sala de aula com aprovação automática é temerário.
Responsável por uma turma do 3oano do ensino fundamental em uma escola municipal em Cordovil, na Zona Norte do Rio, Inês Barbosa já convive com a aprovação automática e acha que o respaldo do MEC prova que “o ministério não conhece o que enfrentamos no dia a dia”: — Tenho uma turma com 32 alunos entre 8 e 11 anos. Os que têm dificuldades tinham a ajuda de uma estagiária, mas agora ela só pode atender no mesmo turno das aulas. Então, eles vão às aulas ou ao reforço — diz Inês.
— O MEC propor que professores criem alternativas quando estão sobrecarregados, sem material didático, em escolas sem horário integral e lidando com pais que muitas vezes não podem acompanhar os estudos dos filhos é a prova de que não conhece o que enfrentamos.
Professor da Faculdade de Educação da USP, Vitor Henrique Paro gostaria que o MEC tivesse coragem para acabar com a aprovação em todas as séries.
— Não sei porque a timidez, a reprovação é um mal — diz ele, para quem as escolas são “ruins desde o século XIX e a reprovação é o álibi desse modelo”.
— Essa mudança é um primeiro passo para que haja uma revolução. Os pais vêem os filhos sendo reprovados e acham que eles não servem para estudar.
Com a aprovação automática, os pais terão a chance de entender que há algo errado com a escola, pois seus filhos poderão chegar ao 8oano e isso não será sinônimo de que aprenderam algo. Se for proibido reprovar, as pessoas serão obrigadas a ensinar.
Autor(es): Agencia O Globo/Carolina Benevides
O Globo - 23/05/2010
O Conselho Nacional de Educação vai propor, e o MEC recomendará a escolas públicas e privadas, que não reprovem mais alunos dos 3 primeiros anos do ensino fundamental. A medida divide especialistas e entra em vigor em 2011.
Para reduzir evasão, plano é que escolas aprovem todos os alunos dos três primeiros anos do ensino fundamental
Com os dados do censo escolar de 2008 em mãos, quando 74 mil crianças de 6 anos foram reprovadas, e depois de realizar três audiências públicas — em Salvador, São Paulo e no Distrito Federal — o Conselho Nacional de Educação (CNE) se prepara para recomendar “fortemente” que todas as escolas públicas e privadas não reprovem mais alunos matriculados nos três primeiros anos do ensino fundamental.
A resolução, que terá que ser homologada pelo ministro Fernando Haddad neste último ano do governo Lula, entrará em vigor em 2011, segundo Edna Martins Borges, coordenadora-geral do Ensino Fundamental da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).
— O Brasil tem uma cultura forte de reprovação. Como estamos atualizando as diretrizes para a educação, vamos recomendar fortemente o princípio da continuidade. Sabemos que não tem a força de uma lei, mas as recomendações do CNE direcionam o sistema educacional — explica Edna, dizendo ainda que o Conselho espera que o Brasil deixe, daqui a alguns anos, de reprovar em todas as séries do ensino fundamental. — O ideal é que a criança conclua mesmo em nove anos, pois ser reprovada faz com que interrompa o sucesso escolar que poderia ter.
No Nordeste, onde temos altas taxas de evasão, a reprovação é uma das responsáveis pelo aluno abandonar o colégio.
Para professor da UFRJ, mudança é ‘temerária’ Segundo Edna, cada escola terá autonomia para elaborar seu projeto pedagógico, o que pode incluir flexibilização das turmas, trabalhos especiais para alunos em dificuldades e aulas extras.
No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), existem mais de 152 mil escolas, com 31 milhões matriculados no ensino fundamental. Pouco mais de dois milhões têm mais de cinco horas de aula por dia.
— Largadas à própria sorte, sem respaldo das secretarias de educação e do MEC, as escolas dificilmente terão sucesso. A história já mostrou que desacompanhada de professores bem formados, sem boa gestão, sem recursos corretos para ajudar no aprendizado e com grande número de alunos em sala, a progressão não dá bom resultado — diz Claudia Fernandes, coordenadora da Pós-Graduação em Educação da UniRio.
Professor de políticas públicas e formação humana da UERJ, Gaudêncio Frigotto concorda que propor a mudança deixando que as escolas decidam o que fazer é “temerário”: — Não adianta as crianças terem o direito de passar, se não têm o direito de aprender. As escolas públicas do Brasil são também espaço de merenda, de educação sexual, têm que lidar com a violência, não estão só ligadas ao conhecimento. Legalizar a realidade que temos em sala de aula com aprovação automática é temerário.
Responsável por uma turma do 3oano do ensino fundamental em uma escola municipal em Cordovil, na Zona Norte do Rio, Inês Barbosa já convive com a aprovação automática e acha que o respaldo do MEC prova que “o ministério não conhece o que enfrentamos no dia a dia”: — Tenho uma turma com 32 alunos entre 8 e 11 anos. Os que têm dificuldades tinham a ajuda de uma estagiária, mas agora ela só pode atender no mesmo turno das aulas. Então, eles vão às aulas ou ao reforço — diz Inês.
— O MEC propor que professores criem alternativas quando estão sobrecarregados, sem material didático, em escolas sem horário integral e lidando com pais que muitas vezes não podem acompanhar os estudos dos filhos é a prova de que não conhece o que enfrentamos.
Professor da Faculdade de Educação da USP, Vitor Henrique Paro gostaria que o MEC tivesse coragem para acabar com a aprovação em todas as séries.
— Não sei porque a timidez, a reprovação é um mal — diz ele, para quem as escolas são “ruins desde o século XIX e a reprovação é o álibi desse modelo”.
— Essa mudança é um primeiro passo para que haja uma revolução. Os pais vêem os filhos sendo reprovados e acham que eles não servem para estudar.
Com a aprovação automática, os pais terão a chance de entender que há algo errado com a escola, pois seus filhos poderão chegar ao 8oano e isso não será sinônimo de que aprenderam algo. Se for proibido reprovar, as pessoas serão obrigadas a ensinar.
sábado, 22 de maio de 2010
Site do Exército reescreve versão sobre o golpe militar de 1964
O Estado de S. Paulo - 21/05/2010
O Exército reescreveu a História do Brasil. Sua página na internet afirma que o golpe militar de 1964 foi uma opção pela democracia. "Eufórico, o povo vibrou nas ruas com a prevalência da democracia", lê-se em um dos capítulos da sinopse histórica do Exército, intitulado Antecedentes e Revolução Democrática de 1964.
O mesmo capítulo diz que "os recentes fatos da história contemporânea demonstraram que o povo brasileiro estava certo quando, na década de 60, optou pela democracia".
O Estado questionou o Comando do Exército sobre que fatos seriam esses. A resposta, por escrito: "A queda do Muro de Berlim e suas consequências, por exemplo". A queda do muro, que abriu caminho à reunificação da Alemanha e representou o colapso do comunismo, aconteceu em 1989, quatro anos depois do fim do regime militar no Brasil.
Em outra resposta igualmente curta, a Força afirmou que "diversos historiadores no âmbito do próprio Exército foram responsáveis pelo texto".
O site do Exército ilustra a sua versão desse período da história com fotos do comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, liderado pelo então presidente João Goulart, e da Marcha Família com Deus pela Liberdade. Ao lado da primeira foto, uma legenda afirma que, no comício de Jango, "ficou claro que as reformas de base seriam feitas na lei ou na marra".
A versão do Exército contrasta com o livro Direito à Memória e à Verdade, editado pela Presidência da República em 2007. "Calcula-se que cerca de 50 mil pessoas teriam sido detidas somente nos primeiros meses da ditadura", diz um dos trechos do livro.
Ditadura. O tema ainda é polêmico no governo, como mostrou a recente crise provocada pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. Na semana passada, um novo decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou do texto expressões como "repressão ditatorial" e "perseguidos políticos".
Antes disso, Lula já havia concordado em criar a Comissão da Verdade não mais com foco na apuração de casos de violação aos direitos humanos durante o regime militar, mas num período mais longo da história do País, de quatro décadas.
O Exército reescreveu a História do Brasil. Sua página na internet afirma que o golpe militar de 1964 foi uma opção pela democracia. "Eufórico, o povo vibrou nas ruas com a prevalência da democracia", lê-se em um dos capítulos da sinopse histórica do Exército, intitulado Antecedentes e Revolução Democrática de 1964.
O mesmo capítulo diz que "os recentes fatos da história contemporânea demonstraram que o povo brasileiro estava certo quando, na década de 60, optou pela democracia".
O Estado questionou o Comando do Exército sobre que fatos seriam esses. A resposta, por escrito: "A queda do Muro de Berlim e suas consequências, por exemplo". A queda do muro, que abriu caminho à reunificação da Alemanha e representou o colapso do comunismo, aconteceu em 1989, quatro anos depois do fim do regime militar no Brasil.
Em outra resposta igualmente curta, a Força afirmou que "diversos historiadores no âmbito do próprio Exército foram responsáveis pelo texto".
O site do Exército ilustra a sua versão desse período da história com fotos do comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, liderado pelo então presidente João Goulart, e da Marcha Família com Deus pela Liberdade. Ao lado da primeira foto, uma legenda afirma que, no comício de Jango, "ficou claro que as reformas de base seriam feitas na lei ou na marra".
A versão do Exército contrasta com o livro Direito à Memória e à Verdade, editado pela Presidência da República em 2007. "Calcula-se que cerca de 50 mil pessoas teriam sido detidas somente nos primeiros meses da ditadura", diz um dos trechos do livro.
Ditadura. O tema ainda é polêmico no governo, como mostrou a recente crise provocada pelo Programa Nacional de Direitos Humanos. Na semana passada, um novo decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou do texto expressões como "repressão ditatorial" e "perseguidos políticos".
Antes disso, Lula já havia concordado em criar a Comissão da Verdade não mais com foco na apuração de casos de violação aos direitos humanos durante o regime militar, mas num período mais longo da história do País, de quatro décadas.
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