Folha de S. Paulo - 16/04/2010
DA REDAÇÃO
Rompendo o silêncio que vinha mantendo nas últimas semanas sobre os escândalos de pedofilia que atingem o Vaticano, o papa Bento 16 disse ontem que "a igreja deve se penitenciar pelos seus pecados".
"Agora, sob ataques do mundo que falam a nós dos nossos pecados, podemos ver que ser capaz de fazer penitência é uma graça e vemos o quão necessário é se penitenciar e, ainda, reconhecer o que está errado em nossas vidas", disse o papa durante uma missa na Santa Sé.
Isso requer que "nos abramos ao perdão, que nos preparemos ao perdão, permitindo a nós nos transformarmos. A dor do arrependimento, que é a purificação e a transformação, é renovadora e trabalho do perdão divino", afirmou, sem porém se referir em nenhum momento diretamente aos casos.
O último mea-culpa de Bento 16 sobre os escândalos, que se acumulam desde o começo do ano em vários países europeus e nos EUA -alguns envolvendo ele mesmo enquanto cardeal-, havia sido feito no dia 20 de março, quando o sumo pontífice dirigiu carta aos católicos irlandeses sobre casos no país.
Desde o aumento das denúncias de abusos sexuais de crianças cometidos por sacerdotes, a reação do Vaticano vinha sendo centrada em ataques à imprensa devido a uma suposta campanha contra a Igreja Católica.Bispos brasileirosTambém ontem, em encontro com bispos brasileiros o papa criticou o desrespeito à liturgia durante a celebração de missas, em uma aparente referência a rituais sincréticos promovidos por padres no Brasil.
Para Bento 16, rituais que façam da missa "simples banquete fraternal" ameaçam gerar "comunidades preocupadas com outras coisas". "Se Cristo não emerge da liturgia, não se trata de liturgia cristã", disse, segundo o catholicculture.org
O cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes exortou ontem em carta os sacerdotes de todo o mundo a se unirem "para oferecer a nosso amado papa nossa solidariedade e apoio" no encontro internacional de sacerdotes em junho, em Roma.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Igreja transferiu suspeito de abuso ao Brasil
Autor(es): Gabriela Manzini
Folha de S. Paulo - 16/04/2010
Levantamento da Associated Press em 21 países revela 30 casos de padres mandados ao exterior após denúncias de pedofilia Críticas a clérigo que atuou com índios após suspeita nos EUA surpreendem no Pará; padre fundador de abrigos na Bahia foi morar na África DA REDAÇÃO
Levantamento realizado pela agência Associated Press em 21 países revelou ontem 30 casos de padres que, depois de sofrerem denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes, foram para outros países. Dois desses casos envolvem o Brasil.
O primeiro é o do padre xaveriano Mario Pezzotti, acusado pelo americano Joseph Callander de abuso e de estupro, em 1993. Os crimes, dizia Callander, tinham ocorrido em 1959, quando estudou em um extinto colégio xaveriano do Estado americano de Massachusetts.
O caso acabou num acordo indenizatório de US$ 175 mil. Na época, num bilhete, o padre disse que achara "a cura" no Brasil. Dez anos mais tarde, Callander descobriu que o novo trabalho do padre era com crianças da tribo caiapó, no Pará. Ele reclamou, e o padre foi enviado à Itália apenas para, em 2008, retornar ao Brasil. Na internet, o padre está abraçado a crianças, em fotos tiradas em Redenção (PA). "Eu esperava que eles o mantivessem distante de crianças", disse Callander à Folha.
"Ele merece ficar na cadeia, como qualquer criminoso", disse. O padre Robert Maloney, que atuou no acordo entre Pezzotti e Callander, disse que o colega só pôde trabalhar com crianças após avaliação e que não houve queixas contra ele.
De fato, na Amazônia, a denúncia gerou surpresa. "Eu conheci o padre Mario em 1980 e nunca ouvir dizer algo a respeito dele. É uma pessoa correta", disse o padre xaveriano Renato Trevizan, 67. Os caiapós chamavam Pezzotti de "tetukre", que quer dizer pernas pretas, por uma fratura que ele sofreu. Aos 75, ele atua na sede da missão em Parma e não fala do passado.
Outro caso é o do padre jesuíta Clodoveo Piazza, premiado por seu trabalho na Organização de Auxílio Fraterno, que mantém abrigos em Salvador. Italiano naturalizado brasileiro, ele chegou a ser secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, antes de ser alvo de denúncias de abuso e exploração sexual.
Em 2009, a Promotoria acusou a ele e a um colega de ONG com base em relatos de vítimas segundo as quais não só ambos abusavam como deixavam que estrangeiros em visita ao país o fizessem. Como as denúncias tardaram, a maioria prescreveu, explica a promotora Maria Eugênia Vasconcelos de Abreu.
Há sete meses, Piazza vive em uma residência jesuíta na cidade de Maputo, em Moçambique. Entrevistado pela Associated Press, ele negou os abusos e disse ser vítima de chantagem por parte de "círculos políticos", que se recusa a citar. "Isso é propaganda para ganhar dinheiro", disse. Em site, os jesuítas italianos apoiam o colega e comentam que a "difamação de missionários é um jogo cada vez mais popular". A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) disse que transferências e acusações contra padres são tratadas localmente, mas a reportagem não conseguiu contato com as dioceses envolvidas.
Outros casos revelados pela Associated Press envolvem um padre que confessou abuso em Los Angeles e foi transferido para as Filipinas, onde vive financiado pela igreja; e um padre condenado no Canadá que voltou a cometer abusos na França. Clérigos disseram que, em alguns casos, os padres se mudaram por iniciativa própria e, em outros, não eram culpados.
É A LÓGICA DA PEDOFILIA CATÓLICA. DISTANCIAR OS ACUSADOS DO LOCAL DAS ACUSAÇÕES. COMO SE JA NÃO BASTASSEM OS PADRES PEDÓFILOS NACIONAIS!
Folha de S. Paulo - 16/04/2010
Levantamento da Associated Press em 21 países revela 30 casos de padres mandados ao exterior após denúncias de pedofilia Críticas a clérigo que atuou com índios após suspeita nos EUA surpreendem no Pará; padre fundador de abrigos na Bahia foi morar na África DA REDAÇÃO
Levantamento realizado pela agência Associated Press em 21 países revelou ontem 30 casos de padres que, depois de sofrerem denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes, foram para outros países. Dois desses casos envolvem o Brasil.
O primeiro é o do padre xaveriano Mario Pezzotti, acusado pelo americano Joseph Callander de abuso e de estupro, em 1993. Os crimes, dizia Callander, tinham ocorrido em 1959, quando estudou em um extinto colégio xaveriano do Estado americano de Massachusetts.
O caso acabou num acordo indenizatório de US$ 175 mil. Na época, num bilhete, o padre disse que achara "a cura" no Brasil. Dez anos mais tarde, Callander descobriu que o novo trabalho do padre era com crianças da tribo caiapó, no Pará. Ele reclamou, e o padre foi enviado à Itália apenas para, em 2008, retornar ao Brasil. Na internet, o padre está abraçado a crianças, em fotos tiradas em Redenção (PA). "Eu esperava que eles o mantivessem distante de crianças", disse Callander à Folha.
"Ele merece ficar na cadeia, como qualquer criminoso", disse. O padre Robert Maloney, que atuou no acordo entre Pezzotti e Callander, disse que o colega só pôde trabalhar com crianças após avaliação e que não houve queixas contra ele.
De fato, na Amazônia, a denúncia gerou surpresa. "Eu conheci o padre Mario em 1980 e nunca ouvir dizer algo a respeito dele. É uma pessoa correta", disse o padre xaveriano Renato Trevizan, 67. Os caiapós chamavam Pezzotti de "tetukre", que quer dizer pernas pretas, por uma fratura que ele sofreu. Aos 75, ele atua na sede da missão em Parma e não fala do passado.
Outro caso é o do padre jesuíta Clodoveo Piazza, premiado por seu trabalho na Organização de Auxílio Fraterno, que mantém abrigos em Salvador. Italiano naturalizado brasileiro, ele chegou a ser secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, antes de ser alvo de denúncias de abuso e exploração sexual.
Em 2009, a Promotoria acusou a ele e a um colega de ONG com base em relatos de vítimas segundo as quais não só ambos abusavam como deixavam que estrangeiros em visita ao país o fizessem. Como as denúncias tardaram, a maioria prescreveu, explica a promotora Maria Eugênia Vasconcelos de Abreu.
Há sete meses, Piazza vive em uma residência jesuíta na cidade de Maputo, em Moçambique. Entrevistado pela Associated Press, ele negou os abusos e disse ser vítima de chantagem por parte de "círculos políticos", que se recusa a citar. "Isso é propaganda para ganhar dinheiro", disse. Em site, os jesuítas italianos apoiam o colega e comentam que a "difamação de missionários é um jogo cada vez mais popular". A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) disse que transferências e acusações contra padres são tratadas localmente, mas a reportagem não conseguiu contato com as dioceses envolvidas.
Outros casos revelados pela Associated Press envolvem um padre que confessou abuso em Los Angeles e foi transferido para as Filipinas, onde vive financiado pela igreja; e um padre condenado no Canadá que voltou a cometer abusos na França. Clérigos disseram que, em alguns casos, os padres se mudaram por iniciativa própria e, em outros, não eram culpados.
É A LÓGICA DA PEDOFILIA CATÓLICA. DISTANCIAR OS ACUSADOS DO LOCAL DAS ACUSAÇÕES. COMO SE JA NÃO BASTASSEM OS PADRES PEDÓFILOS NACIONAIS!
Venezuela no reino do 'sim, senhor'
Autor(es): Agencia O Globo
O Globo - 16/04/2010
Hugo Chávez não tem limites em seu desvario de criar na Venezuela um regime cada vez mais parecido com o cubano. Desde que, certamente, não haja risco de os Estados Unidos imporem um embargo econômico ou deixarem de comprar seu petróleo sulfuroso.
O contraste entre a ideologia do tempo das cavernas de Chávez, o tal “socialismo bolivariano”, e o dinamismo da sociedade civil venezuelana é de arrepiar. Em ato digno de figurar num documentário sobre ditaduras latinoamericanas, ele escolheu o 13 como “Dia da Milícia Bolivariana, do Povo em Armas e da Revolução de Abril”, comemorando oito anos de sua volta ao poder após a tentativa de golpe de 2002. Para coroar a data, tomou juramento de 30 mil milicianos armados para defender “a pátria de Bolívar, a revolução socialista”.
A meta do regime chavista é armar 1 milhão de pessoas (o país tem 28 milhões), formando o quinto braço das Forças Armadas, ao lado do Exército, da Guarda Nacional, da Marinha e da Aeronáutica. Chávez comanda este show de mobilização popular porque, diz, o país está sob ameaça, e ele mesmo pode sofrer um atentado a qualquer momento.
As milícias, discursou o presidente no ato do dia 13, lutarão “até libertar a Venezuela”.
Retoricamente, ele mesmo perguntou: “De quem?” E respondeu: “Dos ianques, da burguesia.” Esta prometeu varrer se “aventurar-se em outro golpe de Estado” (referindo-se a 2002).
O mais espantoso foi o que declarou a seguir, referindo-se às eleições do dia 26 de setembro, que, ao que tudo indica, não serão tão fáceis para seus candidatos. Chávez declarou que “a burguesia” também será “varrida” caso receba mais votos que o seu partido, o Socialista Unido da Venezuela (PSUV). “Não podemos permitir que a burguesia ocupe espaços na Assembleia Nacional. Toda a Assembleia deve ser do povo”, sentenciou. Depreende-se, então, que no país do “sim, senhor” pode haver eleições, desde que o caudilho ganhe. Apesar de tudo, para o presidente Lula, na Venezuela “há democracia demais”. A imprensa crítica é perseguida implacavelmente — a rede RCTV foi fechada, assim como dezenas de emissoras de rádio. Mas, para o assessor de política externa de Lula, Marco Aurélio Garcia, “há liberdade de expressão”.
Existe coerência no erro: se é válido apoiar a ditadura castrista em Cuba, por que não o regime de Chávez? Aliás, Cuba sempre foi o ideal do coronel. Dissidentes presos e exilados também existem em Caracas, conforme mostrou reportagem do GLOBO domingo. Em evento recente no Brasil, o presidente da RCTV, Marcel Granier, criticou, com razão, “o silêncio e a cumplicidade das democracias latinoamericanas a respeito das restrições à liberdade de expressão em Cuba e na Venezuela”.A leniência do Brasil sabe-se o porquê.
Onde Chávez perde disparado é nas modernas tecnologias como internet, Twitter e redes sociais, usados pelos venezuelanos para driblar o cerco à livre circulação da informação.
O governo treina estudantes para a “guerrilha de comunicação”: combater “a falsa informação espalhada pelas redes de comunicação burguesas e fascistas que ajudaram no golpe de 2002”, segundo a ministra da Comunicação, Tania Díaz. Pelo menos, esta é uma guerra perdida para o caudilho.
Chávez, ditador à antiga, mira agora na moderna tecnologia da informação
O Globo - 16/04/2010
Hugo Chávez não tem limites em seu desvario de criar na Venezuela um regime cada vez mais parecido com o cubano. Desde que, certamente, não haja risco de os Estados Unidos imporem um embargo econômico ou deixarem de comprar seu petróleo sulfuroso.
O contraste entre a ideologia do tempo das cavernas de Chávez, o tal “socialismo bolivariano”, e o dinamismo da sociedade civil venezuelana é de arrepiar. Em ato digno de figurar num documentário sobre ditaduras latinoamericanas, ele escolheu o 13 como “Dia da Milícia Bolivariana, do Povo em Armas e da Revolução de Abril”, comemorando oito anos de sua volta ao poder após a tentativa de golpe de 2002. Para coroar a data, tomou juramento de 30 mil milicianos armados para defender “a pátria de Bolívar, a revolução socialista”.
A meta do regime chavista é armar 1 milhão de pessoas (o país tem 28 milhões), formando o quinto braço das Forças Armadas, ao lado do Exército, da Guarda Nacional, da Marinha e da Aeronáutica. Chávez comanda este show de mobilização popular porque, diz, o país está sob ameaça, e ele mesmo pode sofrer um atentado a qualquer momento.
As milícias, discursou o presidente no ato do dia 13, lutarão “até libertar a Venezuela”.
Retoricamente, ele mesmo perguntou: “De quem?” E respondeu: “Dos ianques, da burguesia.” Esta prometeu varrer se “aventurar-se em outro golpe de Estado” (referindo-se a 2002).
O mais espantoso foi o que declarou a seguir, referindo-se às eleições do dia 26 de setembro, que, ao que tudo indica, não serão tão fáceis para seus candidatos. Chávez declarou que “a burguesia” também será “varrida” caso receba mais votos que o seu partido, o Socialista Unido da Venezuela (PSUV). “Não podemos permitir que a burguesia ocupe espaços na Assembleia Nacional. Toda a Assembleia deve ser do povo”, sentenciou. Depreende-se, então, que no país do “sim, senhor” pode haver eleições, desde que o caudilho ganhe. Apesar de tudo, para o presidente Lula, na Venezuela “há democracia demais”. A imprensa crítica é perseguida implacavelmente — a rede RCTV foi fechada, assim como dezenas de emissoras de rádio. Mas, para o assessor de política externa de Lula, Marco Aurélio Garcia, “há liberdade de expressão”.
Existe coerência no erro: se é válido apoiar a ditadura castrista em Cuba, por que não o regime de Chávez? Aliás, Cuba sempre foi o ideal do coronel. Dissidentes presos e exilados também existem em Caracas, conforme mostrou reportagem do GLOBO domingo. Em evento recente no Brasil, o presidente da RCTV, Marcel Granier, criticou, com razão, “o silêncio e a cumplicidade das democracias latinoamericanas a respeito das restrições à liberdade de expressão em Cuba e na Venezuela”.A leniência do Brasil sabe-se o porquê.
Onde Chávez perde disparado é nas modernas tecnologias como internet, Twitter e redes sociais, usados pelos venezuelanos para driblar o cerco à livre circulação da informação.
O governo treina estudantes para a “guerrilha de comunicação”: combater “a falsa informação espalhada pelas redes de comunicação burguesas e fascistas que ajudaram no golpe de 2002”, segundo a ministra da Comunicação, Tania Díaz. Pelo menos, esta é uma guerra perdida para o caudilho.
Chávez, ditador à antiga, mira agora na moderna tecnologia da informação
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Vaticano justifica declarações de cardeal
Autor(es): Afp e Reuters - O Estado de S.Paulo
O Estado de S. Paulo - 15/04/2010
Vínculo de pedofilia a homossexualidade baseou-se em casos internos, diz Igreja
CIDADE DO VATICANODois dias após a polêmica causada pelas declarações do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que vincularam a pedofilia no clero à homossexualidade e não ao celibato e geraram protestos em vários países, a Santa Sé buscou acalmar os ânimos e explicar a posição da segunda maior autoridade da Igreja Católica.
O porta-voz do papa, Federico Lombardi, afirmou que Bertone fez suas declarações com base em um estudo interno da Igreja que contabilizou apenas 10% de casos de pedofilia envolvendo sacerdotes. Os outros 90% seriam de efebofilia, a atração sexual de adultos por adolescentes ? e, desses 90%, 60% seriam casos de atração homossexual.
"As autoridades eclesiásticas consideram que não são competentes sobre temas de caráter médico e psicológico" e por esse motivo "citam os estudos especializados e as investigações em curso sobre o tema", afirmou Lombardi em nota.
Bertone disse, na segunda-feira, durante viagem ao Chile que terminou ontem, que "muitos psicólogos, muitos psiquiatras, demonstraram que não há relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram e me disseram recentemente que há relação entre homossexualidade e pedofilia. Isso é verdade, esse é o problema".
As declarações do número 2 da Igreja provocaram protestos no Chile e em outros países com forte presença católica, como França, Itália, Portugal e Brasil.
O porta-voz da chancelaria francesa, Bernard Valero, ao ser indagado sobre a posição de seu país em relação à declaração do cardeal, afirmou que se trata de um "amálgama inaceitável, que condenamos".
O diário italiano La Repubblica publicou editorial em sua primeira página na qual aponta que "reina neste momento uma grande confusão na Igreja, forte sinal de fraqueza". "Todos sabemos, tanto Bertone como o clero de Roma, que a pedofilia é um delito, um feroz abuso, e que a homossexualidade ? por decisão própria ou imposta pela natureza ? é tão legítima como a heterossexualidade", continua o texto.
O vaticanista Bruno Bartoloni, que presenciou o pontificado de seis papas, diz que os membros da Igreja "estão encurralados ante os escândalos". Ele também afirma que chegou a hora de o papa Bento XVI convocar os cardeais de todo o mundo para debater a crise e definir uma linha de conduta comum e clara. "Seria um gesto importante para os católicos de todo o mundo", afirma. /
O Estado de S. Paulo - 15/04/2010
Vínculo de pedofilia a homossexualidade baseou-se em casos internos, diz Igreja
CIDADE DO VATICANODois dias após a polêmica causada pelas declarações do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que vincularam a pedofilia no clero à homossexualidade e não ao celibato e geraram protestos em vários países, a Santa Sé buscou acalmar os ânimos e explicar a posição da segunda maior autoridade da Igreja Católica.
O porta-voz do papa, Federico Lombardi, afirmou que Bertone fez suas declarações com base em um estudo interno da Igreja que contabilizou apenas 10% de casos de pedofilia envolvendo sacerdotes. Os outros 90% seriam de efebofilia, a atração sexual de adultos por adolescentes ? e, desses 90%, 60% seriam casos de atração homossexual.
"As autoridades eclesiásticas consideram que não são competentes sobre temas de caráter médico e psicológico" e por esse motivo "citam os estudos especializados e as investigações em curso sobre o tema", afirmou Lombardi em nota.
Bertone disse, na segunda-feira, durante viagem ao Chile que terminou ontem, que "muitos psicólogos, muitos psiquiatras, demonstraram que não há relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram e me disseram recentemente que há relação entre homossexualidade e pedofilia. Isso é verdade, esse é o problema".
As declarações do número 2 da Igreja provocaram protestos no Chile e em outros países com forte presença católica, como França, Itália, Portugal e Brasil.
O porta-voz da chancelaria francesa, Bernard Valero, ao ser indagado sobre a posição de seu país em relação à declaração do cardeal, afirmou que se trata de um "amálgama inaceitável, que condenamos".
O diário italiano La Repubblica publicou editorial em sua primeira página na qual aponta que "reina neste momento uma grande confusão na Igreja, forte sinal de fraqueza". "Todos sabemos, tanto Bertone como o clero de Roma, que a pedofilia é um delito, um feroz abuso, e que a homossexualidade ? por decisão própria ou imposta pela natureza ? é tão legítima como a heterossexualidade", continua o texto.
O vaticanista Bruno Bartoloni, que presenciou o pontificado de seis papas, diz que os membros da Igreja "estão encurralados ante os escândalos". Ele também afirma que chegou a hora de o papa Bento XVI convocar os cardeais de todo o mundo para debater a crise e definir uma linha de conduta comum e clara. "Seria um gesto importante para os católicos de todo o mundo", afirma. /
Assinar:
Postagens (Atom)